Um relatório divulgado pela organização norte-americana Human Rights Soccer Alliance trouxe à tona uma prática que vem preocupando comunidades imigrantes nos Estados Unidos: o uso de eventos de futebol como alvo de operações do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega. Desde o início de 2025, pelo menos 17 pessoas ligadas ao esporte — incluindo jogadores, treinadores e pais de atletas — foram detidas, e parte delas acabou deportada. Entre os casos documentados está o do jovem jogador Emerson Colindres, deportado para Honduras no dia de sua formatura em Ohio, além de dois atletas presos durante um treino em Nova York e um pai de família detido na porta do estádio MetLife, em Nova Jersey, quando acompanhava os filhos em uma partida internacional.
O relatório aponta que o futebol, por ser amplamente praticado em comunidades latino-americanas, tornou-se um espaço de vigilância para agentes de imigração. As ações não se restringem aos estádios, mas se estendem a escolas, parques e centros comunitários, locais que tradicionalmente funcionam como pontos de integração cultural e social. A preocupação aumenta com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, que terá 78 jogos realizados em território norte-americano. A ONG alerta que não há qualquer proibição oficial para que agentes do ICE realizem detenções durante os jogos, o que gera temor de que torcedores, atletas e até árbitros sejam alvo das operações.
Segundo dados apresentados, entre janeiro e outubro de 2025, mais de 92 mil pessoas foram presas pelo ICE nas cidades que receberão partidas da Copa, número acima da média nacional. Organizações de defesa dos imigrantes têm pressionado a FIFA para que garanta medidas de proteção, como a proibição de ações migratórias nos arredores dos estádios e a não cooperação das equipes com autoridades de imigração sem mandado judicial.
O cenário tem gerado mobilizações. Em Miami, ativistas se reuniram em frente à sede da FIFA pedindo que estrangeiros evitem viajar aos EUA para assistir aos jogos, diante do risco de detenções arbitrárias e discriminação racial. O alerta reforça a tensão em torno da Copa, que deveria ser um momento de celebração esportiva, mas que agora carrega a preocupação de se tornar palco de operações migratórias.

