24 de agosto de 2026 18:47

Novo busca consolidar Zema em 2026, mas alianças com PL geram tensão interna

O Partido Novo se prepara para disputar as eleições de 2026 com a candidatura de Romeu Zema à Presidência da República, buscando se firmar como alternativa da direita ao bolsonarismo. A legenda aposta em uma estrutura política e financeira mais robusta, após rever sua estratégia e passar a utilizar recursos dos fundos partidário e eleitoral. Segundo o presidente da sigla, Eduardo Ribeiro, o partido deve chegar ao pleito com orçamento estimado entre R$ 80 milhões e R$ 90 milhões, além de R$ 37 milhões de Fundo Eleitoral, o que representa um salto significativo em relação às eleições anteriores.

Nos estados, entretanto, o Novo mantém alianças com o PL, partido de Flávio Bolsonaro, para ampliar sua presença no Congresso e superar a cláusula de barreira. A meta é lançar chapas completas em diversas unidades da federação e aumentar a bancada federal, atualmente com cinco deputados, para pelo menos 12, podendo chegar a 20 em um cenário otimista.

Apesar da aposta em Zema como figura central, declarações do ex-governador de Minas Gerais contra Flávio Bolsonaro geraram desconforto em diretórios estaduais, especialmente no Sul e no Paraná, onde o partido divide palanque com o PL. Em Santa Catarina, por exemplo, o Novo compõe a chapa do governador Jorginho Mello (PL), enquanto no Paraná está aliado ao senador Sergio Moro, também no PL.

As críticas de Zema a Flávio, classificando como “imperdoável” a cobrança de recursos para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, provocaram reações internas e levaram o pré-candidato a moderar o tom, voltando a direcionar ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda assim, o episódio expôs a dificuldade da legenda em conciliar sua estratégia nacional com alianças regionais.

Pesquisas recentes mostram que Zema ainda não conseguiu avançar nas intenções de voto, aparecendo numericamente atrás de outros nomes da chamada terceira via, como Renan Santos e Ronaldo Caiado. A expectativa da direção do Novo é que, caso Zema alcance dois dígitos nas pesquisas, isso possa impulsionar candidaturas proporcionais e fortalecer a legenda no Legislativo.

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