24 de agosto de 2026 20:58

Terremoto na Colômbia paralisa exportações de café e ameaça mercado global

O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia no dia 10 de agosto deixou mais de 250 mortos e milhares de feridos e desabrigados. Além da tragédia humanitária, o desastre trouxe sérias consequências econômicas, especialmente para o setor cafeeiro, um dos pilares da economia colombiana. O país, terceiro maior produtor mundial de café, atrás apenas de Brasil e Vietnã, enfrenta dificuldades para escoar sua produção devido ao bloqueio das principais rotas de acesso ao porto de Buenaventura, responsável por mais de 60% das exportações do grão.

As estradas que ligam o interior ao litoral foram comprometidas por deslizamentos e bloqueios, inviabilizando o transporte de cargas. Estima-se que, caso as restrições persistam por uma semana, mais de 1.000 contêineres possam ficar represados, o que representa cerca de 250 mil sacas de café. A Associação Nacional de Exportadores de Café (Asoexport) alerta que a situação pode levar à paralisação das operações de processamento e prejudicar a compra de café dos agricultores.

O impacto não se limita às áreas diretamente atingidas. Regiões como Huila, Tolima, Cauca e Nariño também enfrentam dificuldades para transportar a produção, mesmo com danos menores. Exportadores avaliam alternativas para desviar cargas para portos do Caribe, como Cartagena e Santa Marta, mas a falta de caminhões e os bloqueios em rotas alternativas dificultam a estratégia.

Além dos problemas logísticos, famílias produtoras em departamentos como Quindío, Risaralda e Valle del Cauca tiveram suas casas e propriedades danificadas. A Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia iniciou levantamentos para dimensionar os prejuízos e garantir assistência técnica e apoio às comunidades afetadas.

No mercado internacional, os reflexos já são sentidos. As cotações do café arábica na Bolsa de Nova York registraram alta, impulsionadas pela preocupação com a oferta global, que já vinha sendo pressionada por estoques baixos e pelos efeitos do fenômeno El Niño. A normalização das exportações dependerá da recuperação das estradas e da retomada gradual das operações em Buenaventura.

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