A inflação oficial do Brasil apresentou desaceleração em maio de 2026, fechando o mês com alta de 0,58%, após avanço de 0,67% em abril, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da leve redução no ritmo, o resultado representa o maior índice para o mês em cinco anos e mantém a taxa acumulada em 12 meses em 4,72%, acima do teto da meta de 4,50% estabelecida pelo Banco Central.
Os principais fatores que pesaram no orçamento das famílias foram os alimentos e a energia elétrica. O grupo alimentação e bebidas registrou alta de 1,33% em maio, respondendo por metade do resultado mensal. Entre os itens que mais encareceram estão a batata-inglesa, com aumento superior a 40%, o tomate, que subiu mais de 20%, e a cebola, com alta de 16%. Já a energia elétrica residencial avançou 3,67%, pressionada pela aplicação da bandeira tarifária amarela e reajustes em diversas regiões do país.
Por outro lado, os combustíveis ajudaram a conter uma alta maior. A gasolina recuou 1,46%, o etanol caiu 6,20% e o óleo diesel teve redução de 2,34%, contribuindo para aliviar parte da pressão inflacionária. Ainda assim, o setor de transportes não conseguiu compensar os aumentos em outros grupos, como saúde e cuidados pessoais, que avançaram 0,90% no mês.
Economistas avaliam que, embora o resultado de maio indique uma desaceleração, o cenário segue desafiador. A combinação de demanda doméstica aquecida, problemas de oferta e impactos externos, como a alta do petróleo influenciada por conflitos no Oriente Médio, mantém a expectativa de inflação acima da meta nos próximos meses. Projeções apontam que o IPCA pode encerrar 2026 em torno de 5,2%, antes de recuar para 3,9% em 2027.
O Banco Central, diante desse quadro, avalia a continuidade do ciclo de cortes na taxa Selic, mas especialistas não descartam uma pausa para conter pressões inflacionárias. A decisão será crucial para equilibrar o controle da inflação e o estímulo à atividade econômica.

