24 de agosto de 2026 18:47

Vacina criada com IA mostra segurança em testes iniciais, mas resposta é modesta

Uma vacina experimental desenvolvida com o apoio de inteligência artificial foi testada pela primeira vez em humanos no Reino Unido e apresentou resultados promissores em termos de segurança. O imunizante, batizado de pEVAC-PS, foi considerado seguro e bem tolerado pelos 39 voluntários que participaram do estudo, mas a resposta imunológica obtida foi descrita como modesta pelos pesquisadores, sem comprovar proteção ampla contra diferentes tipos de coronavírus.

O projeto foi conduzido por cientistas das universidades de Cambridge e Southampton, utilizando a plataforma DIOSynVax, que aplica métodos computacionais para identificar regiões conservadas entre vírus da mesma família. A ideia é estimular o sistema imunológico a reconhecer estruturas comuns presentes em coronavírus atuais e também em possíveis variantes com potencial pandêmico que circulam em animais.

O estudo, publicado na revista Journal of Infection, avaliou voluntários saudáveis entre 18 e 50 anos, todos previamente vacinados contra a Covid-19. Eles receberam duas doses da vacina em diferentes níveis de dosagem, com intervalo de 28 dias. Nenhum evento adverso grave foi registrado, e os efeitos colaterais relatados foram leves ou moderados, reforçando a segurança do imunizante.

Um dos pontos inovadores foi a forma de aplicação: a vacina foi administrada sem agulha, por meio de um dispositivo que injeta o DNA diretamente na pele. Essa tecnologia é considerada mais estável ao calor e menos dependente de infraestrutura de armazenamento, o que pode facilitar a distribuição em países de baixa e média renda.

Apesar da resposta imunológica limitada, os cientistas destacaram a identificação de anticorpos capazes de reconhecer uma região comum a diferentes coronavírus, conhecida como epítopo S309. Esse achado sugere que a estratégia de direcionar o sistema imunológico para regiões compartilhadas pode ser viável, embora ainda seja necessário ampliar a intensidade da resposta gerada pela vacina.

Pesquisadores afirmam que os resultados representam um passo inicial importante para o desenvolvimento de vacinas universais contra coronavírus e outras ameaças virais. A expectativa é que novos estudos, com grupos maiores e mais diversificados, possam confirmar a eficácia da tecnologia e abrir caminho para uma nova geração de imunizantes capazes de antecipar futuras pandemias.

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