22 de outubro de 2026 15:34

Amazônia registra menor desmatamento da série histórica, mas avanço da agropecuária preocupa

A Amazônia brasileira registrou em 2025 o menor índice de desmatamento desde o início da série histórica acompanhada pelo MapBiomas, em 1985. Levantamento divulgado nesta quarta-feira (14) aponta que o bioma perdeu 693 mil hectares de vegetação ao longo do ano, marcando o menor patamar de devastação em mais de quatro décadas de monitoramento.

Os dados indicam que a maior parte da área desmatada correspondeu à vegetação nativa primária, responsável por cerca de 92% do total registrado. O resultado reforça uma tendência de queda observada nos últimos anos e acompanha outros levantamentos ambientais que vêm apontando redução nos alertas de desmatamento na região amazônica.das de fiscalização, monitoramento por satélite, controle territorial e fortalecimento de políticas públicas voltadas à proteção ambiental. Apesar do avanço, os pesquisadores destacam que os resultados não anulam os desafios históricos enfrentados pelo bioma.

O levantamento mostra que, entre 1985 e 2025, a Amazônia perdeu aproximadamente 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa. No mesmo período, a área ocupada por atividades agropecuárias aumentou 440%, enquanto as áreas convertidas para uso humano cresceram quase cinco vezes, alcançando 74,6 milhões de hectares.

A pesquisa também aponta que o avanço da ocupação produtiva é mais intenso em regiões próximas às estradas. Em áreas localizadas a até cinco quilômetros das vias mapeadas, a agropecuária ocupa mais de 40% do território analisado. Segundo os pesquisadores, a abertura e ampliação de acessos facilitam a chegada de atividades econômicas e novas formas de ocupação em áreas anteriormente mais isoladas da floresta.

Atualmente, a agropecuária ocupa mais de 65 milhões de hectares da Amazônia. As pastagens continuam sendo a principal destinação das áreas convertidas após o desmatamento, representando a maior parcela da ocupação territorial. A agricultura também apresentou crescimento expressivo ao longo das últimas décadas, ampliando significativamente sua presença no bioma. A mineração aparece como outra atividade em expansão, com aumento relevante de área ocupada desde o início da série histórica.

Mesmo diante da pressão econômica, as áreas protegidas seguem desempenhando papel decisivo na conservação da floresta. Terras indígenas, unidades de conservação e territórios quilombolas mantêm aproximadamente 98% de cobertura de vegetação nativa. Os dados evidenciam que essas regiões permanecem como importantes barreiras contra o avanço do desmatamento e da ocupação irregular.

O estudo ainda revela diferenças significativas entre os estados da Amazônia Legal. Amapá, Amazonas e Roraima aparecem entre os territórios com maior preservação da cobertura vegetal, enquanto áreas inseridas nos estados de Tocantins, Maranhão, Rondônia e Mato Grosso apresentam percentuais mais reduzidos de vegetação nativa.

Embora os números mais recentes representem um marco positivo para a conservação ambiental, especialistas alertam que a manutenção da tendência de queda dependerá da continuidade das ações de monitoramento, fiscalização e proteção dos territórios preservados, considerados estratégicos para o equilíbrio climático e a biodiversidade da Amazônia.

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