O Brasil entrou em uma nova fase de sua história na aviação militar com o voo inaugural do primeiro caça Gripen E produzido em território nacional. A decolagem ocorreu na manhã de terça-feira (6), a partir das instalações da Embraer em Gavião Peixoto, interior de São Paulo. O teste, conduzido por um piloto da Saab, teve como objetivo avaliar o desempenho dos principais sistemas da aeronave e validar suas características de voo, etapa fundamental antes da entrega oficial à Força Aérea Brasileira (FAB).
O projeto é fruto de um contrato firmado em 2014 entre o governo brasileiro e a Saab, que prevê a produção de 36 aeronaves, sendo 28 monoposto Gripen E e oito biposto Gripen F. Até o momento, dez unidades já foram entregues à FAB, e a aeronave que voou nesta semana é a primeira de 15 que serão montadas no Brasil. A unidade de Gavião Peixoto abriga a única linha de produção do Gripen fora da Suécia, consolidando o país como parte da rede global de fabricação e fornecimento da Saab.
Além de representar um marco tecnológico, o programa Gripen fortalece a Base Industrial de Defesa brasileira. A iniciativa inclui transferência de tecnologia e cooperação industrial, envolvendo engenheiros e técnicos nacionais em atividades de desenvolvimento, integração e ensaios em voo. Segundo Bosco da Costa Junior, presidente da Embraer Defesa & Segurança, o projeto deixa um legado duradouro de conhecimento e inovação, contribuindo para a soberania nacional e para a competitividade do Brasil em programas globais de alta complexidade.
Após a conclusão da campanha de voos de aceitação e certificação, o caça será transferido para a Base Aérea de Anápolis (GO), onde passará a integrar o Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA). A expectativa é que o Gripen brasileiro reforce a capacidade operacional da FAB e simbolize o sucesso da parceria estratégica entre Brasil e Suécia.

