A Venezuela enfrenta uma das maiores tragédias de sua história recente após os dois terremotos que atingiram o país em 24 de junho. O balanço oficial divulgado nesta quarta-feira (1º) aponta 2.295 mortos e mais de 11 mil feridos, além de milhares de desaparecidos. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, afirmou que 12.841 pessoas foram diretamente afetadas pelos tremores, que derrubaram prédios e comprometeram a infraestrutura em diversas regiões.
O cenário é descrito por especialistas como de subnotificação, já que corpos continuam sendo retirados dos escombros diariamente. Necrotérios e hospitais estão sobrecarregados, e o sistema de saúde, já fragilizado por anos de crise econômica, encontra-se em colapso. A Organização Mundial da Saúde alertou para o risco de surtos de doenças como dengue, febre-amarela e malária, agravados pela falta de saneamento e pela baixa cobertura vacinal da população.
As operações de resgate, que nos primeiros dias salvaram mais de 5.000 pessoas, tiveram uma queda drástica. Apenas quatro sobreviventes foram encontrados vivos na última segunda-feira, entre eles uma criança que passou seis dias sob os escombros de um prédio em La Guaira. Voluntários, diante da lentidão da resposta oficial, têm se mobilizado para tentar localizar familiares desaparecidos, recorrendo até a grupos digitais e bancos de dados independentes. Estimativas apontam que mais de 43 mil pessoas estão desaparecidas.
A dimensão da destruição impressiona: segundo a NASA, 59 mil edifícios foram danificados ou destruídos, e a ONU calcula que 1,2 milhão de toneladas de entulho se acumulam nas áreas atingidas. Além disso, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estima que 680 mil crianças necessitam de assistência humanitária imediata.
Enquanto comunidades tentam se reorganizar, organizações internacionais como a Cruz Vermelha e o Programa Alimentar Mundial montaram tendas para distribuir alimentos, medicamentos e artigos de higiene. Entretanto, filas longas e condições insalubres nos abrigos reforçam a gravidade da crise humanitária que se desenrola no país.

