Pesquisas realizadas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em parceria com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) revelam que a Bacia do Rio Paraíba do Sul, responsável pelo fornecimento de água para cerca de 20 milhões de pessoas, poderá enfrentar estiagens mais severas e duradouras nas próximas décadas. O estudo indica que, embora as secas ocorram em intervalos maiores, sua intensidade e duração devem aumentar significativamente, trazendo desafios inéditos para a gestão hídrica da região.
Na sub-bacia de Paraibuna, por exemplo, a média histórica de oito meses de seca pode se estender para quase dois anos contínuos até o fim do século. Já em Santa Cecília, em Barra do Piraí (RJ), ponto estratégico para o abastecimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, o índice que mede a severidade das estiagens pode saltar de 7,9 para mais de 58 pontos em cenários climáticos pessimistas.
Os especialistas destacam que não se trata de previsões determinísticas, mas de tendências baseadas em modelos climáticos. Ainda assim, os resultados reforçam a necessidade de medidas preventivas, como revisão das regras de operação dos reservatórios, ampliação do monitoramento, redução de perdas de água e diversificação das fontes de abastecimento.
Além das pressões climáticas, fatores como poluição, uso desordenado da terra e degradação dos mananciais aumentam a vulnerabilidade do sistema hídrico. Os pesquisadores alertam que períodos mais tranquilos devem ser aproveitados para fortalecer políticas públicas e planos de contingência, evitando que a memória dos eventos críticos se perca com o tempo.

