Durante cerimônia de batismo da fragata “Cunha Moreira”, realizada em Santa Catarina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil precisa ampliar seus investimentos em defesa para enfrentar um cenário internacional marcado por tensões e conflitos. Lula destacou que o mundo vive a maior concentração de disputas desde a Segunda Guerra Mundial e alertou que “ninguém respeita quem não se respeita”.
O presidente criticou diretamente Donald Trump, que em 2025 declarou não descartar o uso da força para assumir o controle da Groenlândia e do Canal do Panamá. Lula classificou essas intenções como ameaças à estabilidade global e ressaltou que o Brasil deve estar preparado para responder a possíveis interferências externas. “Eu não quero guerra, mas também não quero ser pego de surpresa. Está cheio de líderes instáveis no mundo”, afirmou.
A fala ocorreu em meio a um contexto de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Recentemente, o governo norte-americano classificou facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, medida que, segundo autoridades brasileiras, pode abrir margem para ações mais duras contra o país. Além disso, divergências comerciais se intensificaram após a proposta americana de sobretaxar produtos brasileiros em até 25%.
Apesar das críticas, Lula ressaltou que o Brasil não busca confrontos, mas precisa demonstrar capacidade de defesa. O presidente afirmou que o fortalecimento das Forças Armadas é parte de um projeto estratégico de longo prazo, que inclui a renovação da frota naval e a modernização de equipamentos militares. Segundo ele, a paz se constrói com respeito mútuo e capacidade de dissuasão, e o Brasil deve estar pronto para proteger seus 8,5 milhões de quilômetros quadrados e mais de 215 milhões de habitantes.

