O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE, registrou alta de 0,67% em abril, abaixo dos 0,88% de março. Apesar da desaceleração, o acumulado em 12 meses avançou para 4,39%, superando os 4,14% anteriores e se aproximando do limite máximo da meta de inflação de 2026, que é de 4,5%.
O grupo Alimentação e bebidas foi o maior responsável pela pressão inflacionária, com alta de 1,34%, representando sozinho 0,29 ponto percentual do IPCA. Entre os produtos que mais encareceram estão:
- Cenoura: +26,63%
- Leite longa vida: +13,66%
- Cebola: +11,76%
- Tomate: +6,13%
- Carnes: +1,59%
Por outro lado, alguns itens ajudaram a conter a alta:
- Café moído: -2,30%
- Frango em pedaços: -2,14%
A alimentação fora de casa também subiu, mas em ritmo menor (0,59%), com lanches e refeições apresentando variações moderadas.
Além dos alimentos, o grupo Saúde e cuidados pessoais teve alta de 1,16%, impactado pelo reajuste autorizado de até 3,81% nos medicamentos e pelo aumento nos artigos de higiene pessoal, como perfumes (+1,94%).
Nos transportes, a gasolina, que havia subido 4,59% em março, desacelerou para 1,86% em abril, ainda assim sendo o item de maior impacto individual no índice. Já as passagens aéreas caíram 14,45%, ajudando a aliviar o resultado geral.
Economistas destacam que a alta dos alimentos está ligada a menor oferta de produtos como cenoura, cebola e tomate, além do aumento nos custos de transporte, impulsionado pela alta do diesel (+4,46%). No caso do leite, o clima mais seco reduziu o pasto, elevando os custos de produção com ração para o gado.
Apesar da pressão dos alimentos e remédios, o IPCA segue dentro da meta contínua de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que prevê 3% ao ano com tolerância até 4,5%. O Banco Central, que recentemente reduziu a taxa Selic para 14,5% ao ano, deve avaliar com cautela os próximos passos da política monetária, já que os preços de serviços e alimentos continuam resilientes.

