24 de agosto de 2026 18:46

Copa 2026 expõe crise no turismo dos EUA com hotéis vazios e vistos negados

A Copa do Mundo de 2026 ainda nem começou, mas já trouxe sinais preocupantes para o setor turístico dos Estados Unidos. Hotéis das 11 cidades-sede americanas registram taxas de ocupação abaixo de 40%, enquanto cidades mexicanas e canadenses, também anfitriãs do torneio, apresentam desempenho superior, com até 48% das vagas preenchidas. A discrepância é atribuída principalmente às políticas migratórias rígidas implementadas pelo governo de Donald Trump, que têm dificultado a entrada de torcedores e delegações de diversos países.

Delegações do Haiti e do Irã enfrentam proibições severas de entrada, enquanto Costa do Marfim e Senegal lidam com restrições parciais. Casos de barramento de árbitros e jogadores ganharam repercussão internacional, como o do somali Omar Abdulkadir Artan, impedido de atuar após 11 horas de interrogatório, e o atacante iraquiano Aymen Hussein, retido por sete horas em Chicago. Esses episódios reforçam o temor de turistas estrangeiros diante da fiscalização rigorosa nos aeroportos americanos.

Além das barreiras migratórias, os preços elevados de ingressos e transportes têm contribuído para afastar visitantes. Relatórios apontam que muitos hotéis reduziram tarifas em dias de jogos, mas ainda assim não conseguiram atingir as metas de reservas. A Associação de Hotéis e Hospedagem dos EUA revelou que 70% dos empresários entrevistados registraram queda significativa na demanda internacional.

A expectativa inicial era de impacto econômico bilionário, com projeções de até US$ 80 bilhões para os países-sede, sendo US$ 30 bilhões destinados ao mercado americano. No entanto, especialistas alertam que, sem medidas para tornar a experiência mais acolhedora e acessível, o Mundial corre o risco de se tornar um “fracasso colossal” para o turismo nos Estados Unidos.

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