Os brasileiros nunca gastaram tanto fora do país como nos primeiros meses de 2026. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, as despesas internacionais somaram US$ 6,04 bilhões entre janeiro e março, um crescimento de quase 22% em relação ao mesmo período do ano passado. Apenas em março, os gastos chegaram a US$ 1,99 bilhão, também um recorde para o mês.
O principal fator para esse aumento foi a valorização do real frente ao dólar, que acumula queda de 8,85% no ano. Com o câmbio mais favorável, viagens internacionais ficaram mais acessíveis, reduzindo custos de passagens aéreas, hospedagem e consumo de produtos e serviços no exterior. Esse movimento aqueceu o setor de turismo emissivo, com destinos como Estados Unidos, Europa e América do Sul registrando maior fluxo de brasileiros.
Além do câmbio, o desempenho da economia brasileira também contribuiu. Apesar de sinais de desaceleração, a atividade econômica segue em expansão, o que aumenta a demanda por bens e serviços internacionais. O Banco Central destacou ainda que o déficit das contas externas recuou 10,76%, passando de US$ 22,71 bilhões no primeiro trimestre de 2025 para US$ 20,27 bilhões neste ano.
Outro ponto relevante é que os investimentos estrangeiros diretos no Brasil tiveram leve retração, somando US$ 21,03 bilhões contra US$ 23,04 bilhões no mesmo período do ano passado. Apesar da queda, o montante foi suficiente para financiar o déficit em transações correntes.
Especialistas avaliam que o cenário global, marcado por tensões no Oriente Médio, também favoreceu o Brasil. Como exportador de petróleo, o país conseguiu atrair divisas, fortalecendo o real e ampliando o poder de compra dos brasileiros no exterior.
O recorde de gastos mostra não apenas o impacto direto da cotação do dólar, mas também o apetite crescente dos brasileiros por viagens internacionais, mesmo em um contexto de incertezas econômicas globais.

