20 de setembro de 2026 11:10

UE convida Canadá para ser 1º membro associado em meio a tensões globais

Em um cenário internacional marcado por instabilidade e disputas comerciais, a União Europeia (UE) deu um passo histórico ao convidar o Canadá para assumir o posto de primeiro “membro associado” do bloco. O anúncio foi feito pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em seu discurso anual sobre o Estado da União, realizado nesta quarta-feira (16) no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

Von der Leyen destacou que a Europa enfrenta um mundo “abertamente hostil”, com guerras em suas fronteiras, ataques híbridos atribuídos à Rússia e forte concorrência econômica dos Estados Unidos e da China. Nesse contexto, a parceria com o Canadá surge como uma estratégia para fortalecer a resiliência democrática e ampliar a cooperação em áreas como manufatura avançada, tecnologia, defesa, inteligência artificial, energia e exploração do Ártico.

O convite ocorre em meio a uma aproximação crescente entre Ottawa e Bruxelas. O Canadá, liderado pelo primeiro-ministro Mark Carney, busca reduzir sua dependência dos Estados Unidos, destino de cerca de 70% de suas exportações, após sucessivas tarifas impostas pelo governo Trump. A nova aliança é vista como uma oportunidade para diversificar parcerias e reforçar a soberania canadense.

Embora o status de “membro associado” não esteja previsto nos tratados da União Europeia, a proposta abre caminho para uma cooperação mais profunda sem a necessidade de adesão plena. Modelos semelhantes já existem em acordos com países como Noruega e Suíça, que participam do mercado único europeu sem direito de voto nas instituições do bloco. No caso canadense, ainda não há definição sobre como funcionará a participação prática, mas a expectativa é de envolvimento em programas de defesa, pesquisa e inovação.

Durante o discurso, Ursula von der Leyen também apresentou propostas para enfrentar desafios internos, como migrações em massa, efeitos das mudanças climáticas e até a proibição do uso de redes sociais por menores de 13 anos. Além disso, reforçou críticas ao governo de Israel pelo avanço de assentamentos na Cisjordânia e reiterou a necessidade de manter viva a solução de dois Estados.

O anúncio foi recebido com aplausos no Parlamento Europeu, onde Carney esteve presente e foi ovacionado pelos eurodeputados. A iniciativa marca um novo capítulo nas relações internacionais e pode redefinir o papel da União Europeia diante das pressões globais.

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