20 de setembro de 2026 10:22

Receita federal bate recorde e alcança R$ 3,24 tri em 2026

O governo federal estima que a receita total da União em 2026 alcance R$ 3,24 trilhões, o maior valor já registrado desde o início da série histórica da Secretaria do Tesouro Nacional, em 1997. O montante corresponde a 23,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e reflete tanto o aumento da carga tributária quanto o crescimento das receitas provenientes da exploração de petróleo, favorecidas pela valorização internacional do produto.

Segundo a proposta de orçamento enviada ao Congresso Nacional para 2027, a arrecadação deve se manter elevada, com previsão de R$ 3,46 trilhões, embora em proporção ligeiramente menor do PIB, estimada em 23,4%. O documento projeta ainda um superávit de R$ 18,6 bilhões nas contas públicas.

Entre as medidas que sustentaram o crescimento da receita estão a tributação de fundos exclusivos e offshores, a reoneração gradual da folha de pagamentos, o fim de benefícios fiscais para setores específicos, além da taxação de apostas e aumento de impostos sobre combustíveis e produtos importados. Em contrapartida, o governo ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil, criando também uma cobrança mínima para contribuintes de alta renda.

Apesar da arrecadação recorde, analistas destacam que os gastos públicos crescem em ritmo superior, o que mantém o cenário de déficit primário e pressiona a dívida pública. Em agosto, o endividamento do setor público consolidado atingiu 82,5% do PIB, o maior patamar em mais de cinco anos. Economistas alertam que esse quadro contribui para a manutenção de juros elevados, com impacto direto sobre a economia.

A arrecadação com dividendos também tem sido acompanhada de perto. Até julho, a Receita Federal registrou R$ 3,145 bilhões com retenção de Imposto de Renda sobre lucros e dividendos, valor abaixo da meta inicial de R$ 28 bilhões. A equipe econômica prevê que o resultado final fique em torno de R$ 17,2 bilhões.

O cenário mostra que, embora o governo alcance números inéditos em arrecadação, o desafio permanece em equilibrar receitas e despesas para conter o avanço da dívida e garantir sustentabilidade fiscal nos próximos anos.

Desenvolvido por Gáspari Comunicação