20 de setembro de 2026 10:26

Anvisa barra tirzepatida T36 do Paraguai e amplia fiscalização no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a proibição da tirzepatida T36, medicamento fabricado no Paraguai e comercializado como caneta emagrecedora. A medida, publicada no Diário Oficial da União, impede a importação, armazenamento, distribuição, comercialização, propaganda, transporte e uso do produto em território nacional.

Segundo a Anvisa, o T36 não possui registro sanitário no Brasil, requisito obrigatório para que qualquer medicamento seja comercializado de forma regular. O registro é responsável por atestar a segurança e eficácia do produto após análise técnica. Apesar de possuir autorização no Paraguai, essa validação não tem validade automática no Brasil.

A decisão também alcança práticas comuns entre pacientes brasileiros, como atravessar a fronteira para adquirir o medicamento e trazê-lo para uso próprio. Mesmo nesses casos, sem fins comerciais, o transporte é considerado irregular e está proibido.

O T36 é produzido pelo laboratório Catedral, o mesmo responsável pela Tirzedral, outra versão de tirzepatida já barrada pela agência. A substância é o princípio ativo do Mounjaro, medicamento da farmacêutica Eli Lilly, atualmente o único autorizado no Brasil para tratamento de diabetes tipo 2 e controle de peso em casos específicos.

A proibição se soma a outras nove marcas paraguaias de tirzepatida já vetadas pela Anvisa, como Lipoless, Tirzec e Slimex. O cerco contra esses produtos reflete preocupações com a saúde pública, já que o sistema de farmacovigilância da agência investiga 46 mortes relacionadas ao uso da substância, embora não seja possível determinar quantos casos envolvem medicamentos irregulares.

Além da questão sanitária, o tema tem gerado disputas judiciais. Pacientes têm recorrido à Justiça Federal pedindo autorização para importar o medicamento, alegando que o preço no Paraguai pode ser até três vezes menor que no Brasil. Em alguns casos, juízes concederam liminares favoráveis, mas órgãos de fiscalização recorreram para revogar as autorizações.

Para conter a entrada irregular desses produtos, o Brasil vem firmando acordos com autoridades paraguaias para reforçar a fiscalização nas fronteiras. A Anvisa também alerta que a compra de medicamentos em sites não autorizados representa risco elevado, já que não há garantia de procedência, composição ou conservação.

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