O governo federal lançou nesta segunda-feira (4) o Novo Desenrola Brasil, programa que pretende renegociar dívidas de milhões de brasileiros com descontos que podem chegar a 90% e juros limitados a 1,99% ao mês. A iniciativa surge em meio a um cenário preocupante: segundo dados do Banco Central, o endividamento das famílias atingiu 49,9% da renda em fevereiro, o maior índice da série histórica. Atualmente, mais de 82 milhões de pessoas estão inadimplentes, muitas delas presas em dívidas de cartão de crédito e cheque especial, modalidades que chegam a cobrar mais de 400% ao ano.
O programa terá duração inicial de 90 dias e contemplará quatro públicos principais: famílias, estudantes do Fies, micro e pequenas empresas e agricultores familiares. Entre as medidas anunciadas estão a possibilidade de usar até 20% do saldo do FGTS para quitar débitos, parcelamento em até 48 meses e limite de R$ 15 mil por instituição financeira. Além disso, quem aderir ficará impedido de apostar em plataformas online por um ano, numa tentativa de evitar que recursos renegociados sejam comprometidos em jogos de azar.
A primeira versão do Desenrola, em 2023, beneficiou mais de 15 milhões de pessoas, com a negociação de R$ 53 bilhões em dívidas. Agora, o governo estima que o novo programa possa renegociar até R$ 58 bilhões, ampliando o alcance e reduzindo o comprometimento da renda das famílias, que hoje consomem quase 30% do orçamento apenas com dívidas. Especialistas avaliam que a medida pode trazer alívio imediato, mas alertam que o sucesso dependerá da adesão dos bancos e da disciplina financeira dos cidadãos após a renegociação.
O impacto esperado é significativo, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde os índices de inadimplência são mais elevados. Para muitos brasileiros, o Novo Desenrola representa não apenas a chance de limpar o nome, mas também de recuperar o poder de consumo e reorganizar a vida financeira.

