24 de agosto de 2026 16:25

Super El Niño em 2026 pode intensificar extremos climáticos no Brasil e no mundo

Modelos climáticos internacionais vêm apontando para a formação de um El Niño ainda em 2026, com possibilidade de que o fenômeno ganhe força no segundo semestre. A hipótese de um “super El Niño” — termo usado para episódios de intensidade excepcional — já circula em redes sociais e manchetes, mas especialistas pedem cautela. Embora os sinais sejam consistentes, a intensidade do evento ainda não pode ser confirmada com precisão.

Segundo o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (NOAA), há mais de 90% de chance de ocorrência de algum nível de El Niño até o fim do ano. No entanto, os modelos divergem: alguns indicam um episódio moderado, enquanto outros sugerem possibilidade de aquecimento acima de 2°C no Pacífico, o que caracterizaria um evento forte ou muito forte.

Estudos recentes do Centro Europeu de Previsão Meteorológica de Médio Prazo reforçam a preocupação. Projeções apontam que o El Niño de 2026/2027 pode ser o mais intenso em 140 anos, com impactos globais em chuvas, secas e temperaturas extremas. No Brasil, os efeitos históricos do fenômeno incluem chuvas volumosas no Sul, estiagens prolongadas no Nordeste e Norte, além de irregularidade nas precipitações no Sudeste e Centro-Oeste.

O cenário preocupa setores estratégicos. A agricultura pode sofrer perdas significativas, especialmente em culturas dependentes de regularidade hídrica, como milho e soja. A produção de energia hidrelétrica também pode ser afetada pela redução do nível dos rios na Amazônia. Além disso, períodos prolongados de calor aumentam riscos à saúde pública, como desidratação e agravamento de doenças respiratórias.

Apesar das projeções, cientistas reforçam que o El Niño não é responsável sozinho por desastres naturais. A intensidade dos impactos depende da interação com outros sistemas climáticos e das vulnerabilidades locais, como ocupação irregular de áreas de risco e falta de infraestrutura de defesa civil.

A chamada “barreira de previsibilidade da primavera” — período entre março e junho em que as condições do Pacífico são naturalmente menos previsíveis — também limita a precisão das projeções. A clareza tende a aumentar a partir de maio, quando os ventos alísios enfraquecem e os sinais do fenômeno se tornam mais evidentes.

Em resumo, o diagnóstico atual é de atenção, não de alarme. O Brasil deve se preparar para possíveis extremos climáticos, mas sem descartar a chance de que o fenômeno se manifeste de forma moderada. A combinação entre aquecimento global e El Niño, contudo, aumenta a probabilidade de impactos mais severos do que em décadas anteriores.

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