As eleições de 2026 têm sido marcadas por intensa movimentação em torno das pesquisas de intenção de voto. Segundo dados oficiais, até maio deste ano já foram registrados mais de 700 levantamentos para os cargos de presidente, governadores, senadores e deputados, com investimentos que somam aproximadamente R$ 40 milhões. O volume expressivo reforça a relevância estratégica desses estudos na definição dos cenários eleitorais, mas também acendeu alertas sobre a necessidade de maior transparência e rigor metodológico.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, convocou reuniões com institutos de pesquisa para discutir critérios mais claros e objetivos. A medida ocorre em meio à polêmica envolvendo a suspensão de uma pesquisa realizada pelo Instituto AtlasIntel, que apontava queda nas intenções de voto do pré-candidato Flávio Bolsonaro. A decisão de Nunes Marques foi motivada por indícios de que o questionário poderia ter sido influenciado por fatores externos, comprometendo sua neutralidade.
Entre as mudanças já aprovadas pelo TSE para este pleito está a exigência de uma declaração formal do estatístico responsável pela pesquisa, comprovando vínculo com a empresa que realizou o levantamento. Além disso, os dados utilizados deverão estar disponíveis para auditoria, e será obrigatório informar quem financiou o estudo, com detalhamento da origem dos recursos. As pesquisas também precisam ser registradas no TSE até cinco dias antes da divulgação dos resultados.
Especialistas destacam que o endurecimento das regras busca evitar manipulações e garantir maior credibilidade às sondagens, que desempenham papel fundamental na percepção pública sobre a corrida eleitoral. A expectativa é que, com critérios mais rígidos, os levantamentos possam refletir de forma mais fiel o cenário político, reduzindo riscos de distorções e fortalecendo a confiança do eleitorado.

