24 de agosto de 2026 16:35

PF apura suspeita de escritura falsa em esquema de R$ 470 mil

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (1º) a terceira fase da Operação Rent a Car, denominada Galho Fraco II, com foco em aliados do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). A investigação apura se documentos de compra e venda de um imóvel foram forjados para justificar a origem de R$ 470 mil apreendidos em espécie no fim de 2025. O dinheiro foi encontrado em sacolas dentro de um flat utilizado pelo parlamentar em Brasília, durante cumprimento de mandados de busca e apreensão. Na ocasião, Sóstenes declarou que os valores provinham da venda de um imóvel em Minas Gerais, mas a escritura pública só foi registrada oficialmente dias após a apreensão, levantando suspeitas sobre a veracidade da transação.

Segundo relatório da PF, não há registros bancários compatíveis com o pagamento declarado, o que reforça a hipótese de que o documento tenha sido elaborado posteriormente para dar aparência formal a uma negociação inexistente. Além disso, os investigadores identificaram movimentações financeiras superiores a R$ 15 milhões por meio de empresas ligadas ao parlamentar, que podem ter origem em recursos públicos.

A operação também cumpriu mandados em endereços de advogados e empresários próximos ao deputado, onde foram encontrados valores em espécie escondidos em objetos decorativos. Embora Sóstenes não tenha sido alvo nesta fase, ele já havia sido investigado anteriormente junto ao deputado Carlos Jordy (PL-RJ) por suspeita de desvio de verbas da cota parlamentar, utilizando empresas de fachada para justificar despesas.

O ministro Flávio Dino, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, autorizou a operação após considerar relevantes os indícios de irregularidades. A investigação segue em andamento para esclarecer a origem dos recursos e a possível participação de aliados do parlamentar em esquema de desvio de dinheiro público.

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