24 de agosto de 2026 18:12

PF aponta servidora como operadora de esquema de emendas ligado a Valdemar Costa Neto

A Polícia Federal revelou que a servidora da Câmara dos Deputados, Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, desempenhava papel central em um esquema de manipulação de emendas parlamentares atribuído ao presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto. Segundo relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Tuca organizava o fluxo das indicações e alterava documentos oficiais para ocultar a participação do ex-deputado, que não possui mandato e, portanto, não poderia indicar recursos do orçamento.

As investigações apontam que mensagens extraídas do celular da servidora revelaram um “arranjo decisório paralelo” para a destinação de verbas públicas. Planilhas apreendidas continham registros identificados como “do Valdemar” ou “VCN”, reforçando a ligação direta entre os recursos e o dirigente do PL. Em uma das conversas analisadas, interlocutores ligados a Valdemar solicitaram que cerca de R$ 24 milhões fossem destinados ao setor de Turismo, pedido que foi operacionalizado por Tuca.

A atuação da servidora não se restringia apenas ao gabinete. Ela também foi alvo da Operação Transparência, deflagrada em dezembro do ano passado, que investigava irregularidades na distribuição de emendas parlamentares. O ministro do STF, Flávio Dino, determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões e a suspensão do pagamento das emendas sob suspeita, destacando que havia múltiplos indícios de que Tuca e outros servidores atuavam como executores das determinações de Valdemar Costa Neto.

Mariângela Fialek, que já havia trabalhado como assessora do deputado Arthur Lira (PP-AL), recebia remuneração de R$ 23,7 mil em cargo de natureza especial na Câmara. Ela e outros servidores são investigados pelos crimes de peculato-desvio e associação criminosa. A defesa de Valdemar nega qualquer irregularidade, afirmando que a indicação de emendas é atribuição dos líderes partidários.

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