O fenômeno climático El Niño, que já apresenta forte intensidade no Oceano Pacífico, começa a impactar diretamente o Cone Sul da América do Sul. A partir desta quinta-feira (16), uma sequência de tempestades deve atingir o Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina, marcando o primeiro episódio de tempo extremo do ciclo 2026-2027. Segundo a MetSul Meteorologia, as condições atmosféricas favorecem a formação de supercélulas capazes de provocar vendavais destrutivos, granizo de grande porte e até tornados.
Os modelos de previsão indicam que o período de instabilidade poderá se prolongar por até sete dias consecutivos, com acumulados de chuva entre 100 mm e 200 mm em diversos municípios gaúchos. Em áreas isoladas, os volumes podem alcançar entre 200 mm e 300 mm, aumentando significativamente o risco de alagamentos urbanos, transbordamento de arroios e elevação do nível dos rios. Em Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, já foram registrados 720 desabrigados após a tempestade do último fim de semana, que trouxe ventos fortes e granizo.
De acordo com boletins técnicos do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), há mais de 90% de probabilidade de que o El Niño persista até o início de 2027, com intensidade forte ou muito forte. Essa condição deve provocar chuvas acima da média no Sul do País, enquanto regiões do Norte e Nordeste podem enfrentar estiagens prolongadas. O cenário exige atenção redobrada das autoridades e da população, especialmente em áreas vulneráveis a enchentes e deslizamentos.
A Defesa Civil recomenda que moradores acompanhem os alertas oficiais e adotem medidas de autoproteção, como evitar áreas de risco durante temporais, reforçar estruturas vulneráveis e manter kits de emergência preparados. A previsão é de que novas ondas de tempestades ocorram nos próximos meses, principalmente no final do inverno e durante a primavera, reforçando a necessidade de monitoramento constante.

