Em novembro de 2024, o agricultor Sidrônio Moreira, morador da zona rural de Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará, perfurava o solo em busca de água para abastecer sua família. No lugar da água, emergiu um líquido escuro, viscoso e com forte odor de combustível. A descoberta inesperada mobilizou a comunidade local e, posteriormente, chamou a atenção de instituições de ensino e pesquisa. Amostras foram enviadas ao Instituto Federal do Ceará (IFCE) e à Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), que identificaram características compatíveis com petróleo.
Apesar da suspeita inicial, apenas em maio de 2026 a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmou oficialmente que o material encontrado era petróleo cru. A demora se deveu ao longo processo de análises e à necessidade de exames em laboratórios credenciados. A vistoria técnica ocorreu em março de 2026, após a repercussão do caso na imprensa.
O detalhe que mais surpreendeu os especialistas foi a profundidade em que o petróleo foi localizado: cerca de 40 metros, considerada extremamente rasa para padrões geológicos. Normalmente, jazidas são identificadas em profundidades superiores a mil metros. Essa característica incomum levantou questionamentos sobre a extensão do reservatório e sua viabilidade econômica.
A ANP informou que dará início a estudos para avaliar o tamanho da jazida e a possibilidade de exploração comercial. Caso a área seja incluída em futuros leilões de blocos de exploração, empresas interessadas poderão disputar a concessão. Entretanto, não há prazo definido para conclusão das análises, e não existe garantia de que a exploração será viável.
Mesmo sendo proprietário do terreno, Sidrônio não terá direito de posse sobre o petróleo, já que a Constituição determina que os recursos minerais pertencem à União. Contudo, caso haja exploração, ele poderá receber compensação financeira de até 1% sobre a produção, conforme previsto em lei. Enquanto isso, a família segue lidando com os custos da descoberta e mantém a esperança de que o achado traga benefícios futuros.

