24 de agosto de 2026 17:17

Crise diplomática: governador de Buenos Aires repudia ataques de Milei ao Brasil

O cenário político sul-americano foi abalado neste fim de semana após declarações do presidente argentino Javier Milei durante a convenção do Partido Liberal (PL), em São Paulo. Em discurso inflamado, Milei atacou diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de “presidiário”, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a quem se referiu como “lixo careca”. As falas provocaram forte reação do governo brasileiro e abriram uma crise diplomática entre os dois países.

O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, rival político de Milei, repudiou publicamente os ataques e afirmou que as declarações envergonham a Argentina. Em mensagem divulgada nas redes sociais, Kicillof destacou que o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e que atitudes como as de Milei colocam em risco investimentos, exportações e milhares de empregos. O governador também informou ter entrado em contato com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, para reforçar que Milei “não representa o sentimento do povo argentino”.

A repercussão imediata levou o Itamaraty a convocar o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas em Brasília, além de chamar o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para transmitir repúdio às falas de Milei. O chanceler Mauro Vieira classificou as declarações como “ríspidas, grosseiras e inaceitáveis”, ressaltando que não há precedentes de um chefe de Estado estrangeiro ofender autoridades brasileiras em território nacional.

O episódio ocorre em meio ao lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência pelo PL, evento no qual Milei esteve presente para demonstrar apoio. Analistas apontam que o gesto reforça a proximidade política entre Milei e setores da direita brasileira, mas amplia tensões diplomáticas com o governo de Lula.

A crise diplomática reacende debates sobre os limites da atuação de líderes estrangeiros em eventos políticos internos e sobre os impactos que declarações desse tipo podem ter nas relações comerciais e institucionais entre países vizinhos.

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