24 de agosto de 2026 20:00

Brasil volta a exportar carne bovina para a China

A China anunciou nesta quarta-feira (20) a liberação de três frigoríficos brasileiros para retomar os embarques de carne bovina, interrompidos desde março de 2025 por questões de “não conformidade” nos registros sanitários. Entre as unidades liberadas estão a planta da JBS em Mozarlândia (GO), da Frisa em Nanuque (MG) e da Bon-Marte em Presidente Prudente (SP).

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a medida representa uma vitória para o setor e demonstra confiança da China na qualidade da carne bovina brasileira. Atualmente, o Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina, tendo a China como principal destino.

Contexto das negociações

O ministro da Agricultura, André de Paula, está em Pequim conduzindo tratativas para ampliar o acesso da carne brasileira ao mercado chinês. Além da liberação dos três frigoríficos, o governo brasileiro solicitou a habilitação de 33 novas plantas para exportação, incluindo unidades de bovinos, aves e suínos.

A decisão ocorre em meio a um cenário de cotas tarifárias impostas pela China desde o fim de 2025. O país asiático estabeleceu um limite de 2,7 milhões de toneladas de carne bovina importada em 2026, com o Brasil detendo a maior fatia, de 1,1 milhão de toneladas (41,1%). Ultrapassar esse limite implica tarifas adicionais de 55%, o que pode reduzir a competitividade dos embarques.

Impacto econômico

De janeiro a março de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina cresceram 20% em relação ao ano anterior, com preços médios de US$ 5,58 por quilo, alta de 15% em um ano. Esse desempenho reforça a relevância do Brasil como fornecedor global, mas também evidencia o risco de saturação das cotas chinesas.

Além disso, a China anunciou que deve implementar certificação eletrônica para produtos cárneos já no próximo mês, o que pode agilizar processos e aumentar a transparência nas transações comerciais.

Perspectivas

Especialistas avaliam que a retomada das exportações é um passo estratégico para o Brasil, mas alertam que o setor precisa diversificar mercados e investir em valor agregado para reduzir a dependência da China. A expansão para regiões menos exploradas do país asiático, como Chongqing, é vista como oportunidade para ampliar a presença da carne brasileira no varejo local.

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