22 de outubro de 2026 15:45

China limita embargo e suspende compras de carne de frango apenas de Santa Catarina

A China decidiu restringir apenas ao estado de Santa Catarina a suspensão das importações de carne de frango brasileira após a confirmação de um foco da Doença de Newcastle em uma criação comercial de perus no município de Nova Itaberaba, no Oeste catarinense. A decisão foi comunicada ao Ministério da Agricultura e Pecuária nesta terça-feira (20) e reduz o impacto sobre o comércio exterior do setor avícola nacional, já que mantém habilitados os frigoríficos localizados nos demais estados brasileiros.

De acordo com informações divulgadas pelo governo federal, 14 estabelecimentos catarinenses que exportam para o mercado chinês ficarão temporariamente impedidos de realizar embarques para o país asiático. Atualmente, 61 unidades brasileiras possuem autorização para vender carne de aves à China, considerada a principal compradora do produto brasileiro.

A medida ocorre após a detecção do vírus da Doença de Newcastle em uma granja comercial de perus com cerca de 6 mil aves em Nova Itaberaba. O estabelecimento foi interditado pelas autoridades sanitárias, que também suspenderam a movimentação de animais e iniciaram ações de contenção para evitar a disseminação da enfermidade. Além disso, propriedades rurais localizadas na área de restrição passaram a ser monitoradas por equipes de vigilância agropecuária.

A Doença de Newcastle é uma enfermidade viral que afeta aves domésticas e silvestres, podendo provocar problemas respiratórios, neurológicos e digestivos. Apesar do impacto para a avicultura, autoridades sanitárias reforçam que não há risco relacionado ao consumo de carne de aves ou ovos originados de estabelecimentos submetidos à inspeção oficial. Em seres humanos, os casos são raros e geralmente estão associados ao contato direto com aves infectadas, podendo causar apenas sintomas leves, como conjuntivite temporária.

Antes da definição chinesa, o protocolo sanitário firmado entre Brasil e China previa a interrupção preventiva das exportações brasileiras de carne de aves para que as autoridades do país asiático avaliassem a situação sanitária. Após análise das informações encaminhadas pelo Ministério da Agricultura, a China optou por regionalizar a restrição, limitando o bloqueio apenas ao estado onde o foco foi identificado.

O episódio também gerou reações em outros mercados internacionais. O México suspendeu temporariamente as importações de carne de aves e outros produtos avícolas brasileiros, enquanto alguns países adotaram restrições direcionadas apenas ao estado catarinense ou às áreas próximas ao foco da doença. Especialistas do setor avaliam que a regionalização das medidas reduz os efeitos econômicos sobre a cadeia produtiva nacional, que vinha registrando crescimento nas exportações ao longo de 2026.

Dados do setor apontam que a China respondeu por aproximadamente 10% das exportações brasileiras de carne de frango entre janeiro e setembro deste ano, consolidando-se como um dos principais destinos da proteína produzida no país. Santa Catarina, por sua vez, representa pouco mais de um quinto dos embarques nacionais do produto, o que explica a atenção das autoridades e da indústria avícola diante da ocorrência sanitária.

O Ministério da Agricultura informou que continuará monitorando a situação epidemiológica na região afetada e mantendo comunicação com os parceiros comerciais internacionais. O objetivo é demonstrar a eficácia das medidas de controle adotadas e preservar a confiança nos produtos avícolas brasileiros nos mercados externos.

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