24 de agosto de 2026 22:03

Inteligência artificial ganha espaço e preocupa Justiça Eleitoral na pré-campanha de 2026

Na pré-campanha presidencial de 2026, a inteligência artificial tornou-se protagonista na produção de jingles, vídeos e sátiras que circulam nas redes sociais e eventos políticos. Pré-candidatos e seus aliados têm recorrido à tecnologia para criar conteúdos que simulam situações fictícias, como Romeu Zema aparecendo como cantor em clipes sobre Minas Gerais, Flávio Bolsonaro retratado como piloto de caça em ações contra o crime e Lula em vídeos que reconstroem sua trajetória com vozes geradas artificialmente.

O Observatório IA nas Eleições apontou que o volume de conteúdos políticos produzidos com inteligência artificial cresceu 50% em relação ao último pleito, com destaque para peças sem identificação clara do uso da tecnologia. Segundo especialistas, 73% das publicações analisadas não informavam que eram fabricadas digitalmente, o que aumenta o risco de desinformação.

Diante desse cenário, o TSE e a AGU firmaram um acordo de cooperação para regulamentar o uso da IA nas campanhas. A iniciativa prevê uma cartilha de boas práticas, orientando partidos, candidatos e plataformas digitais a identificar conteúdos gerados artificialmente, evitar manipulações enganosas e denunciar irregularidades. Entre as medidas, está a proibição de deepfakes que favoreçam ou prejudiquem candidaturas, mesmo com autorização dos envolvidos.

As regras também estabelecem que vídeos, áudios e imagens manipulados devem trazer avisos explícitos sobre o uso da tecnologia. Além disso, conteúdos sintéticos estão proibidos nas 72 horas que antecedem a votação e nas 24 horas posteriores ao pleito. A Justiça Eleitoral reforça que a responsabilidade pode alcançar não apenas candidatos e partidos, mas também apoiadores e eleitores que compartilhem materiais irregulares.

Enquanto alguns presidenciáveis, como Lula e Ronaldo Caiado, defendem limitar o uso da IA, outros, como Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, apostam fortemente na tecnologia para ampliar sua presença digital. O debate sobre os limites éticos e legais do uso da inteligência artificial promete marcar a corrida eleitoral deste ano.

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