24 de agosto de 2026 17:47

Brasil reduz em 31% área queimada em 2025, menor índice em quatro décadas

O Brasil encerrou o ano de 2025 com uma redução expressiva nas áreas atingidas por queimadas. De acordo com o Relatório Anual do Fogo, elaborado pela rede de pesquisadores do MapBiomas, o país registrou 12,7 milhões de hectares queimados, número que representa uma queda de 31% em relação à média histórica anual de 18,4 milhões de hectares desde 1985. A retração também significa quase metade da área devastada em 2024, quando as queimadas alcançaram 30,2 milhões de hectares.

A Amazônia foi o bioma que mais contribuiu para essa redução. Após ter registrado em 2024 o maior índice da série histórica, com 15,8 milhões de hectares queimados, a região contabilizou 3,1 milhões de hectares em 2025, o menor valor observado em 41 anos. Especialistas apontam que fatores climáticos, como chuvas prolongadas, aliados ao fortalecimento da fiscalização ambiental e à diminuição do desmatamento, foram determinantes para o resultado.

O Pantanal também apresentou uma das maiores quedas proporcionais, com apenas 121 mil hectares atingidos, enquanto a Caatinga foi a única região a encerrar o ano acima da média histórica, com 505 mil hectares queimados. Já o Cerrado, apesar de registrar retração em relação à média, manteve-se como o bioma mais afetado, concentrando 69% de toda a área queimada no país em 2025, o equivalente a 8,7 milhões de hectares.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) reforçam a tendência, indicando uma redução de 61% nos focos de incêndio em comparação com o ano anterior. Entre 1985 e 2025, cerca de 24% do território brasileiro já foi atingido pelo fogo ao menos uma vez, sendo que 64% dessas áreas sofreram queimadas repetidas, muitas vezes em intervalos inferiores a quatro anos, o que aumenta a vulnerabilidade dos ecossistemas.

Apesar da queda significativa, especialistas alertam que o fogo continua sendo um desafio para a conservação ambiental e para a produção agrícola. O relatório destaca que 71,5% das áreas queimadas entre 1985 e 2025 correspondem à vegetação nativa, evidenciando os impactos diretos sobre a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos.

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