A Polícia Federal concluiu a primeira investigação da Operação Sem Desconto e indiciou 48 pessoas, entre elas dois ex-presidentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), por envolvimento em um esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões. O relatório, entregue ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que os desvios ultrapassaram R$ 700 milhões e envolvem crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Entre os indiciados estão Alessandro Antônio Stefanutto, que presidiu o INSS durante o governo Lula, acusado de receber propina mensal de R$ 250 mil; Virgílio Antônio Ribeiro Filho, ex-procurador-geral da autarquia, suspeito de ter recebido mais de R$ 6 milhões; e André Paulo Félix Fidelis, ex-diretor de benefícios, apontado como beneficiário de R$ 3,4 milhões em pagamentos ilícitos. Todos estão presos preventivamente desde o fim do ano passado.
O relatório também cita o presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, acusado de liderar a organização criminosa. Segundo a PF, a Conafer funcionava como núcleo central do esquema, utilizando planilhas e empresas de fachada para movimentar valores desviados.
Além dos dirigentes do INSS, o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, também foi indiciado e está preso. Outro nome citado é José Carlos Oliveira, ex-ministro do Trabalho e Previdência no governo Bolsonaro e ex-presidente do INSS, que teria recebido propinas em triangulações bancárias e pagamentos em espécie.
O material será analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se apresenta denúncia contra os envolvidos. A PF informou que novas frentes de investigação continuam em andamento para apurar a participação de outras entidades e pessoas ligadas ao esquema.

