24 de agosto de 2026 18:50

Juros altos travam economia, mas FMI prevê crescimento maior para o Brasil em 2026

Em entrevista recente, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os juros elevados continuam sendo o maior obstáculo para o avanço da economia brasileira. Segundo ele, a taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano, figura entre as mais altas do mundo em termos reais e tem impacto direto sobre os investimentos privados e sobre a dívida pública, que alcança 81,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Durigan ressaltou que é necessário harmonizar a política fiscal com a política monetária conduzida pelo Banco Central, de modo a alinhar receitas e gastos públicos com a definição da taxa de juros.

Apesar das críticas ao nível elevado dos juros, o cenário internacional trouxe uma notícia positiva. O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou que revisará para cima sua projeção de crescimento para o Brasil em 2026. O órgão destacou que a economia brasileira demonstrou resiliência diante de choques externos e internos, e que o país deve alcançar crescimento próximo de 2,5% no médio prazo. A revisão foi atribuída ao desempenho favorável em indicadores como inflação e desemprego, ambos em patamares historicamente baixos, além das safras recordes do agronegócio e da aprovação da reforma tributária.

Durigan ressaltou que o equilíbrio fiscal e a busca por justiça tributária são fundamentais para sustentar esse avanço. Ele defendeu medidas como tributação maior sobre os mais ricos, revisão de programas sociais e corte de benefícios fiscais, além de reforçar que o arcabouço fiscal aprovado em 2023 é viável e sustentável. O ministro também destacou que o Brasil vem ampliando sua produção agrícola sem aumentar o desmatamento, o que fortalece a imagem do país perante investidores internacionais e abre espaço para financiamentos voltados a projetos sustentáveis.

O governo projeta superávits primários crescentes até 2030, com meta de 0,5% do PIB em 2027 e de 1,5% em 2030. Para alcançar esses objetivos, será necessário conter gastos obrigatórios e manter o compromisso com a disciplina fiscal. Durigan concluiu que o esforço conjunto entre política fiscal e monetária é essencial para reduzir os juros e garantir que o crescimento econômico seja sustentável.

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