O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, enviou uma carta oficial ao senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, em resposta a uma correspondência anterior e à visita do parlamentar a Washington. No documento, datado de 23 de junho, Rubio reafirma a posição norte-americana de aplicar tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros, medida proposta pelo presidente Donald Trump após investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A apuração aponta práticas consideradas desleais por parte do Brasil, como barreiras ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Rubio destacou que as diferenças entre os dois países permanecem “substanciais” e lembrou que uma audiência pública está marcada para 6 de julho, em Washington, para que empresas, associações e governos possam apresentar argumentos antes da decisão final. O secretário também agradeceu o apoio de Flávio Bolsonaro à decisão norte-americana de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, ressaltando que as redes criminosas dessas facções representam ameaça à segurança no hemisfério.
Na carta, Rubio reconheceu a oferta de Flávio de disponibilizar uma equipe de transição aos EUA caso seja eleito presidente em outubro, mas reiterou que a definição sobre as tarifas cabe ao USTR. O governo norte-americano afirma estar pronto para cooperar com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro, buscando uma estrutura de comércio e investimentos considerada “mutuamente benéfica”. A resposta oficial evidencia o impacto das negociações comerciais e a tensão diplomática entre os dois países em meio ao cenário eleitoral brasileiro.

