12 de outubro de 2026 22:13

Anvisa apura suspeitas de perda de visão ligadas a canetas emagrecedoras

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está investigando 13 notificações de pacientes que relataram perda de visão após o uso de canetas emagrecedoras, medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, indicados para o tratamento de diabetes e obesidade. Os casos envolvem produtos como Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro. A condição registrada é a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA), uma lesão rara que compromete o nervo óptico e pode resultar em sequelas permanentes.

Segundo especialistas, a doença funciona como um “infarto” no nervo que conecta o olho ao cérebro, provocando obstrução dos vasos sanguíneos e morte de células nervosas, o que leva à perda súbita da visão em um dos olhos. Estudos publicados na revista científica JAMA Ophthalmology apontaram risco até sete vezes maior de ocorrência da NOIA em pacientes que receberam semaglutida, embora os próprios pesquisadores ressaltem que não há comprovação de causa direta, já que muitos dos pacientes também tinham doenças como diabetes, que por si só aumentam a vulnerabilidade ocular.

No Brasil, desde junho de 2025, a Anvisa determinou que a NOIA fosse incluída na bula dos medicamentos com semaglutida como reação adversa muito rara. Ainda assim, médicos reforçam que os benefícios do tratamento para quem tem indicação clínica superam os riscos, mas alertam para o uso indiscriminado das canetas em busca apenas de resultados estéticos.

Nos Estados Unidos, pacientes já ingressaram com ações judiciais contra fabricantes como Novo Nordisk e Eli Lilly, alegando que não foram devidamente informados sobre os riscos. A FDA também acompanha os relatos e avalia possíveis medidas regulatórias. No Brasil, a Anvisa mantém os casos sob monitoramento e reforça que, até o momento, não há comprovação de relação direta entre os medicamentos e a perda de visão, tratando as notificações como suspeitas.

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