28 de outubro de 2026 09:59

Israel vive corrida às urnas com retorno em massa de eleitores que moram no exterior

Milhares de israelenses que vivem fora do país estão se mobilizando para retornar a Israel nos próximos dias com um único objetivo: participar das eleições legislativas marcadas para 27 de outubro. Em um cenário de forte polarização política e disputa acirrada entre governo e oposição, o voto dos cidadãos residentes no exterior ganhou relevância estratégica e pode ter influência no resultado final da eleição que definirá a composição do Parlamento e os rumos do próximo governo.

Diferentemente de diversas democracias ao redor do mundo, Israel não permite que a maioria de seus cidadãos vote do exterior. Com isso, os eleitores que residem em outros países precisam viajar até o território israelense para exercer o direito ao voto. A exigência tem provocado uma verdadeira corrida por passagens aéreas e aumentado a procura por voos para o país às vésperas do pleito.

Estimativas apontam que mais de 65 mil israelenses que vivem no exterior pretendem viajar para votar nesta eleição, número superior às projeções divulgadas anteriormente e significativamente maior que a participação registrada em pleitos passados. A mobilização ocorre em meio a um período considerado um dos mais delicados da história recente do país, marcado pelos impactos dos ataques de 7 de outubro de 2023, pelos conflitos armados na Faixa de Gaza e pelas tensões regionais envolvendo o Irã.

Organizações da sociedade civil passaram a auxiliar cidadãos interessados em retornar ao país, oferecendo orientações logísticas e informações sobre o processo eleitoral. Uma dessas iniciativas, conhecida como Fly&Vote, registrou crescimento expressivo na adesão de participantes, refletindo o interesse de parte da diáspora israelense em acompanhar de perto uma disputa vista por muitos analistas como decisiva para o futuro político da nação.

A movimentação também gerou controvérsias políticas. O partido Likud, liderado pelo atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, questionou judicialmente a atuação de grupos que auxiliam eleitores residentes fora do país, alegando possíveis impactos sobre o processo eleitoral. A contestação acabou sendo retirada após entendimento mediado pelas autoridades eleitorais, que estabeleceram limites para a atuação das iniciativas envolvidas.

As eleições de 2026 são consideradas um teste para a liderança de Netanyahu, que busca manter sua influência política após anos marcados por desafios internos, críticas sobre a condução do governo e debates em torno da segurança nacional. Pesquisas divulgadas por veículos especializados indicam uma disputa equilibrada entre diferentes forças políticas, aumentando a importância de cada voto em uma eleição que pode redefinir alianças e a formação da futura coalizão governista.

Com cerca de 120 cadeiras em disputa no Parlamento israelense, o resultado da votação poderá determinar não apenas quem ocupará o cargo de primeiro-ministro, mas também quais blocos políticos terão condições de formar maioria legislativa. Diante desse cenário, milhares de cidadãos espalhados por países da América do Norte, Europa, América do Sul, Ásia e Oceania decidiram enfrentar longas viagens para participar de uma eleição considerada histórica.

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