A confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial no município de Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, trouxe novos reflexos para a cadeia produtiva de aves no Brasil e pode resultar em preços mais baixos da carne de frango nos próximos meses, especialmente na Região Sul. A avaliação é compartilhada por analistas do setor agropecuário, que observam os impactos das restrições comerciais impostas por países importadores após a ocorrência sanitária.
Após a confirmação da doença, importantes mercados compradores anunciaram limitações para a aquisição de produtos avícolas catarinenses. Com a redução das exportações, parte da produção originalmente destinada ao exterior poderá ser redirecionada ao mercado interno, aumentando a oferta disponível para consumidores e distribuidores brasileiros.
Santa Catarina ocupa posição de destaque na avicultura nacional e possui forte dependência das vendas externas. Cerca de 63% da produção estadual de carne de frango é destinada à exportação, índice superior à média brasileira. Essa característica torna o estado mais vulnerável aos impactos provocados por eventuais embargos sanitários e suspensões temporárias de importações.
O cenário ocorre em um momento de crescimento da produção brasileira de carne de frango. Dados do setor apontam avanço dos abates e expectativa de aumento na oferta ao longo do ano. Caso as restrições comerciais permaneçam por um período prolongado, frigoríficos poderão enfrentar maior necessidade de armazenagem, reorganização logística e busca por novos destinos para os produtos.
Especialistas destacam que eventual queda nos preços tende a ser percebida primeiro no mercado atacadista, principalmente nos estados do Sul. O reflexo ao consumidor final dependerá de fatores como custos de transporte, armazenagem, comercialização e das estratégias adotadas pelo varejo para repassar eventuais reduções de preços.
A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que afeta aves domésticas e silvestres, podendo provocar sintomas respiratórios, digestivos e neurológicos. Autoridades sanitárias reforçam que o consumo de carne de frango e ovos inspecionados continua seguro, uma vez que a doença não é transmitida por meio da ingestão desses produtos.
Desde a confirmação do foco, o Ministério da Agricultura adotou medidas de controle sanitário na região afetada, incluindo restrições de movimentação, ações de desinfecção e monitoramento epidemiológico. Paralelamente, o governo brasileiro mantém contato com os países importadores para fornecer informações técnicas e buscar a retomada gradual das exportações, minimizando impactos para produtores e empresas do setor.

